16.8.17

TRATAMENTO DE BACTÉRIAS IN VITRO COM REIKI



Rubik, Brooks e Schwartz (2006) fizeram um estudo para identificar o efeito de Reiki sobre culturas de bactérias Escherichia coli.

O que é Biocampo e o que é Reiki?

Os autores incluem o Reiki dentro da categoria das chamadas Terapias de Biocampo, nas quais “manualmente e/ou via interação pela vontade (intent) com campos de energia do paciente” o tratamento é feito por praticantes treinados. Biocampo é uma hipótese, criada a partir de diversos efeitos estudados por estes praticantes em organismos e células, à distância. O conceito de campo foi criado na física com a finalidade de identificar áreas de influência de magnetos e outros tipos de força que se exercem à distância da fonte geradora, sem conexão.

Reiki é uma palavra japonesa que significa “energia universal da vida” e denomina a técnica criada por Mikao Usui no Japão. Segundo os autores, consiste de “uma sequência de doze posições de mãos colocadas no corpo ou a alguns centímetros dele”.

Os autores descrevem inúmeros ensaios clínicos e experimentos realizados antes deles, mostrando o efeito de técnicas de biocampo (imposição de mãos e oração por membros da igreja cristã ortodoxa, por exemplo). Efeitos como aumento de nível de hemoglobina, mudanças em meridianos de acupuntura, medidos através de teste eletrodérmico, redução dos mecanismos de estresse, proliferação de culturas de células do cérebro in vitro, assim como de fungos, células de mamíferos, fermento. Outro efeito foi a proteção das células vermelhas dos processos de hemólise (destruição).

Em estudos com efeitos biológicos, com design experimental, os níveis de hemoglobina e hematócritos de 48 sujeitos recebendo treinamento Reiki, comparado com grupo controle mostrou uma melhora significante.

Os autores fizeram este estudo para mostrar que a imposição de mãos pode fazer efeito, sem que isso possa ser explicado por efeito placebo, ou seja, fenômenos psicológicos. Rubik (uma autora) já havia feito um estudo com membros da Igreja Ortodoxa Cristã, combinando prece e imposição de mãos, que teve efeito positivo no crescimento de Salmonella typhimurium.

Neste estudo, se desenhou um ensaio biológico para avaliar se a imposição de mãos do Reiki pode estimular o crescimento de cultura de bactérias Escherichia coli in vitro em condições nas quais o crescimento é impedido. Esperava-se que o Reiki pudesse estimular este crescimento.

Eles levaram em consideração três pontos: o local, a relação praticante-paciente e a presença de um paciente com necessidade de cuidados médicos. Eles consideraram que a medicina alternativa e complementar é contextual e que o contexto pode afetar essas terapias.

Como a pesquisa foi realizada

Trata-se de estudo com cegamento dos experimentadores, atribuição aleatória das culturas de bactérias para os grupos experimental e de controle, controle das amostras de bactérias correspondentes às amostras de teste em pares (emparelhamento) e processamento dos pares de amostras em ordem aleatória.
Considerando a preocupação com o lugar, separou-se um consultório com três praticantes de Reiki. Eram salas carpetadas, iluminação leve incandescente, paredes com quadros pendurados, cadeiras confortáveis e uma mesa de massagem. Essas salas tiveram a poluição eletromagnética medida e foram consideradas de igual intensidade. Possivelmente isso foi feito considerando a possibilidade das bactérias serem afetadas por ondas eletromagnéticas.

A cultura de bactérias E. coli K12 foi preparada de forma triplicada para a criação dos grupos controle. As amostras foram aleatorizadas e manipuladas aos pares e colocadas em prateleiras plásticas em duas caixas de cartão idênticas seladas.

Os praticantes de Reiki colocavam suas mãos a 10 cm das culturas, durante 15 minutos. Ao final eles preenchiam um formulário sobre seu bem-estar e satisfação (Arizona Integrated Outcomes Scale – AIOS).

Resultados



Como se pode inferir da figura acima, houve diferença significativa entre a contagem de bactérias do emparelhamento entre a cultura de bactérias tratada ou não por Reiki, apenas no contexto de tratamento (sala preparada com paciente atendido antes das bactérias). A estatística F de comparação dos grupos foi de 3,865 e a p < 0,05.

Discussão

Os autores propõem três resultados em sua pesquisa:

1.       “Reiki tem um efeito de promoção do crescimento de culturas de bactérias in vitro, sob certas condições”

2.       “O contexto de tratamento mostrou um efeito de crescimento estatisticamente significativo em culturas de bactérias”

3.       “O bem-estar dos praticantes influenciou os efeitos do Reiki no crescimento de culturas de bactérias.”

Com estes resultados, os autores entendem que o contexto é importante para o Reiki e que os estudos que não o consideram, podem não estar medindo “efeitos terapêuticos otimizados naqueles organismos”. Eles entendem também que a falta de controle da variável contexto pode explicar alguns estudos que tiveram dificuldades em replicar os efeitos de tratamento espiritual (healing) em células.

Os autores sugerem que, se este estudo for replicável, ele pode se tornar um protocolo para a condução de pesquisa básica, e que novos estudos de organismos simples como a sua fisiologia, bioquímica e genética podem ser realizados.

Há também os resultados de bem-estar dos praticantes de Reiki, cujas tabelas não reproduzimos neste texto. “Se os escores de bem-estar do praticante eram inicialmente altos, então os efeitos do Reiki na cultura de bactérias foram mais pronunciados. Se eram inicialmente baixos, então efeitos menores e até negativos nas bactérias foram observados”. (p. 11)  Eles concluem, portanto, pela importância do bem-estar do praticante para a obtenção de efeitos positivos maiores.

O estudo mediu sessão a sessão os resultados no crescimento das bactérias, e os autores entendem que os efeitos negativos observados poderiam ser resultado de “emissões energéticas negativas que se opõem, em vez de estimular, o crescimento das bactérias, associado com o biocampo humano em certos estados psicofisiológicos.” (p. 11) Eles se baseiam em um estudo de Qigong, onde a doença do mestre desta arte anulou o efeito da suposta energia em leucócitos.

O estudo põe em questão a ideia difundida no meio dos praticantes de Reiki que as energias aplicadas são originárias da “fonte universal de energia”, não sendo afetadas por qualquer estado de consciência do praticante.

Comentários

O presente estudo está baseado em uma amostra muito pequena (n = 14) o que exige que se considerem os resultados obtidos com parcimônia, porque apesar dos testes não paramétricos realizados, um pequeno número de resultados negativos pode afetar o resultado final da amostra.

Outra questão importante, não discutida, é o significado dos números no eixo das ordenadas da figura 1. Embora haja uma diferença numérica considerada significativa, o que significa a variação encontrada nas contagens de colônias de E. coli? Há outros estudos com culturas realizadas da mesma forma, sem a intervenção de terapêuticas espirituais? Qual é o crescimento médio e a variação das colônias nesses estudos?

Uma vez replicadas e aceitas as conclusões deste estudo, a prática de passes nos centros espíritas deve considerar o estado de bem-estar do passista, evitando que pessoas doentes, ou com mal-estar (mental, emocional, espiritual ou social) em outras áreas não realizem passes enquanto estiverem assim. Sugere-se replicar este estudo com bactérias, usando passistas em vez de praticantes de Reiki.

Os resultados deste estudo também apontam para que os passistas se preparem antes da atividade dos passes, e sugerem que um ambiente (sala) destinada para este tipo de atividade pode influenciar na eficácia dos passes.


Rubik, B., Brooks, A., Schwartz, G. In vitro effect of Reiki treatment on bacterial cultures: role of experimental context and practioner well-being, The journal of alternative and complementary medicine, v. 12, n. 1, 2006, p. 7-11.


Agradecimentos

A Raphael Vivacqua Carneiro pela revisão desta resenha.



"Prece e curas espirituais" é o tema central do 13o. Encontro da Liga de Pesquisadores do Espiritismo, que acontecerá em São Paulo, nos dias 26 e 27 de agosto. Inscrições abertas em http://usesp.org.br/13o-enlihpe/

14.8.17

CIENTISTA NORTE-AMERICANA ESCREVE SOBRE PASSES E DESOBSESSÃO NO BRASIL


Capa de um dos livros publicados por Emma

Emma Bragdon, PhD, publicou um trabalho intitulado “Centros de Tratamento Espíritas no Brasil” no qual considera importante o modelo dos centros espíritas brasileiros para os Estados Unidos. Ela fez 13 viagens, entre 2001 e 2004, e foi a diversos lugares, incluindo a Federação Espírita do Estado de São Paulo - FEESP, a cidade de Palmelo e o Sanatório Eurípedes Barsanulfo.

A Dra. Emma reproduz os resultados apresentados por dirigentes espíritas, que não me parecem bem fundamentados, como o “auxílio de 90% de pessoas com depressão a voltar ao normal sem dependência de drogas”. A depressão é muito confundida com a tristeza, até mesmo no meio médico e psicológico e talvez tenha sido utilizada pelo dirigente de forma leiga, e não como transtorno de depressão maior - TDM, como a autora interpreta mais à frente no texto. Ela diz que 9,9 milhões de pessoas nos Estados Unidos sofrem de TDM, sendo tratados com remédios, que têm efeitos colaterais.

Em suas observações, ela narra um caso de paciente diagnosticado com esquizofrenia, que foi acolhido no Sanatório Eurípedes Barsanulfo, passou por sessões de desobsessão, e foi acompanhado pelo médium curador Bortolo Damo (http://vaniaarantesdamo.blogspot.com.br/2016/03/bortolo-damo-meu-esposo-e-companheiro.html). O paciente melhorou, os médicos reduziram seus medicamentos ao mínimo e ele passou a fazer parte do grupo de curadores  que atendem os outros pacientes no sanatório. 

Este tipo de caso me parece bem típico dos centros espíritas em geral. Há uma tolerância generalizada com os portadores de transtornos mentais e a aceitação deles em algumas atividades, o que pode auxiliar muito no seu tratamento.

Tocou-me muito um comentário da Dra. Emma. Um médium com renome nacional, por exemplo, baseando-se no espiritualismo norte-americano adotou indevidamente práticas de remuneração associadas à mediunidade.

Emma, contudo, escreve em seu trabalho sobre o voluntariado nos centros espírita brasileiros:

“... Nós somos uma cultura materialista. A maioria das pessoas nos Estados Unidos acha razoável e certo cobrar por qualquer serviço prestado. O conceito dos espírita brasileiros, “o que foi dado gratuitamente por Deus deve ser doado gratuitamente para as pessoas” não está firme na nossa cultura. Os curadores espirituais , os médiuns de cura  e os médiuns em geral normalmente cobram por seus serviços nos Estados Unidos. Logo, nosso materialismo obstrui nossa capacidade de incorporar este aspecto do espiritismo, apesar deste preceito desencorajar charlatães que têm ambições mercenárias.” (p. 71)

Esse é um estudo baseado em observação e entrevistas, diferente do que vimos publicando, mas traduz bem o interesse de uma cientista norte-americana sobre o que fazemos e traz um olhar diferente e valorizador de muitas das práticas de passes, estudos e assistência social realizadas atualmente nos centros espíritas brasileiros. 

Bragdon, Emma. Spiritist healing centers in Brazil, Seminars in integrative medicine, v. 3, 2005. P. 67-74.



"Prece e curas espirituais" é o tema central do 13o. Encontro da Liga de Pesquisadores do Espiritismo, que acontecerá em São Paulo, nos dias 26 e 27 de agosto. Inscrições abertas em http://usesp.org.br/13o-enlihpe/

11.8.17

REDE GLOBO FAZ MATÉRIA SOBRE USO DE PASSES EM HOSPITAL




A Dra. Élida Mara Carneiro vai apresentar suas pesquisas com passes no ambiente hospitalar no 13o. Encontro Nacional da Liga de Pesquisadores do Espiritismo - ENLIHPE. Ela é autora de artigo publicado em periódico técnico internacional sobre o assunto. 

CARNEIRO, Élida Mara, BARBOSA, Luana Pereira, MARSON, Jorge Marcelo, TERRA, Juverson Alves, MARTINS, Cláudio Jacinto Pereira, MODESTO, Danielle, RESENDE, Luis Antônio Pertili Rodrigues de, BORGES, Maria de Fátima. Effectiveness of spiritist "passe" (spiritual healing) for anxiety levels, depression, pain, muscle tension, well-being and physiological parameters in cardiovascular inpatients: a randomized controlled trial. Complementary therapies in medicine, v. 30, p. 73-78, 2017.


Veja abaixo a matéria sobre os passes:

video


Comentários

As opiniões pessoais dos entrevistados não refletem o que se conhece sobre passes, seja via pesquisas, seja via mediúnica. Desconheço, por exemplo, evidência de envolvimento de eletricidade no passe. O entrevistado parece confundir o magnetismo animal de Mesmer com as medidas de eletromagnetismo dos neurônios ou do funcionamento do coração. A ideia de purificação da outra entrevistada é uma ideia pessoal, que reflete seu sentimento ante os passes. 

A opinião da delegada do CRM mostra desconhecimento das pesquisas relacionadas ao tema (não com o termo "passe espírita", que existem, mas como healing, laying on of hands e outras técnicas de biocampo, como temos publicado), mas ao mesmo tempo ela sabe que os procedimentos de pesquisa (usados pela Dra. Élida?) foram respeitados, como a aprovação em Comissão de Ética de Pesquisa em Seres Humanos, busca de evidências, etc.

O repórter chama de "ritual" a preparação dos passistas, mas como vimos nas publicações que fizemos, há necessidade de preparação mental e emocional deles, uma vez que os passes não são uma mera imposição de mãos. A palavra ritual remete a cultos religiosos e à crenças com base na tradição, sem fundamentação em observação, experimentação e teorização.

Por fim, há uma questão imensamente polêmica que é a da relação entre religião e espiritualidade. Esta merece uma reflexão mais detida no futuro.

9.8.17

A POESIA TRANSCENDENTE DE PARNASO DE ALÉM TÚMULO



Texto exclusivo de Alexandre Caroli Rocha para o Espiritismo Comentado

Parnaso de além-túmulo, primeiro livro de Chico Xavier, é uma antologia poética psicografada que, em 1932, era composta por 60 poemas atribuídos a 14 autores. Ao longo de suas edições, o livro foi crescendo, até que, em 1955, estabilizou-se com 259 poemas atribuídos a 56 poetas brasileiros e portugueses.
Entre esses, encontram-se nomes consagrados, como Fagundes Varela, António Nobre, Júlio Diniz, Castro Alves, Olavo Bilac etc.; nomes pouco conhecidos, como Cornélio Bastos, Albérico Lobo, Lucindo Filho etc.; e mesmo poetas anônimos, como A. G., Alma Eros, Marta e Um desconhecido.

Em minha dissertação de mestrado (Letras, Unicamp, 2001), estudei mais detidamente os poemas atribuídos aos portugueses João de Deus, Antero de Quental e Guerra Junqueiro e aos brasileiros Cruz e Sousa e Augusto dos Anjos. Na pesquisa, utilizei importantes estudos a respeito desses poetas, a fim de verificar se particularidades descritas pelos críticos também fazem parte dos versos psicografados.

Notei que, em grande medida, características formais e temáticas dos autores estudados também estão presentes nos versos mediúnicos. A constatação nos permite inferir: quem concebeu os poemas, além de possuir diversas habilidades poéticas, conhecia muito bem singularidades sutis daqueles autores, as quais foram apreendidas e explicitadas nos estudos críticos em que me apoiei.

Durante os 23 anos que se passaram entre a primeira e a edição definitiva de Parnaso, a cada nova edição o volume ia crescendo; novos poemas e novos autores eram acrescentados, e alguns poemas foram suprimidos. Havia também revisões, igualmente atribuídas aos autores espirituais; era uma obra em construção.

Esse processo sugeria que alguém estava encaminhando a antologia para alguma direção, visto também que, no mesmo período, outros livros de poemas psicografados por Chico Xavier foram publicados. Haveria, assim, um planejamento particular ao Parnaso, que demorava tanto para chegar a sua forma definitiva? Ou se tratava de um acúmulo aleatório de poemas?

Ao analisar o histórico das edições, cheguei à conclusão de que sua versão final teve como propósito abranger, sob a forma poética, todos os principais temas de O livro dos espíritos, de Allan Kardec. Na dissertação, mostro o alinhamento temático que a antologia de Chico Xavier estabelece com o livro de Kardec.
A dissertação está disponível aqui:

http://repositorio.unicamp.br/jspui/handle/REPOSIP/269864

7.8.17

TRATAMENTO "ESPIRITUAL" EM MULHERES COM ARTRITE REUMATOIDE NA DINAMARCA




Sete pesquisadores de instituições dinamarquesas realizaram um estudo com tratamento ou cura espiritual (spiritual healing[1]) para estudar os efeitos no tratamento de artrite reumatoide. Foram estudadas 85 mulheres divididas em três grupos: cura ativa (CA), falsa cura (FC) e nenhum tratamento (NT). Após o tratamento foram feitas consultas de acompanhamento (follow-up) com 82 das mulheres que participaram do estudo.

A seleção das pacientes foi aleatória (selecionados de 96 clientes que queriam ser tratadas), o tratamento foi com cegamento e controlado por falsos curadores. As pacientes eram vendadas e eram colocados protetores de ouvidos. Assim eram submetidas a 8 sessões em 21 semanas e depois mais 8 sessões de acompanhamento. O falso tratamento era feito apenas com base na presença de um estudante de medicina, sem experiência ou conhecimento de “cura espiritual”. O tratamento foi feito por um curador profissional de vinte anos de experiência, com uma técnica denominada “cura energética”, na qual não há qualquer toque no corpo do paciente. O tratamento convencional em curso foi mantido durante a terapia “energética”.

A remissão de sintomas da doença foi avaliada através de uma escala denominada DAS28-CRP, (Escala de atividade da doença) baseada na proteína C reativa e medidas com ultrassom Doppler colorido. O DAS mede a resposta do paciente ao tratamento em uma escala de 0 a 9,4.

Os resultados do DAS e do Doppler podem ser vistos na figura abaixo:


Como se pode ver, há resultados favoráveis aos pacientes que foram tratados pelo curador, mas a diferença só é significativa quando comparados os grupos de tratamento e de falso tratamento. (p = 0.047). Quando se compara os pacientes do grupo de tratamento com os que não receberam nenhum tratamento espiritual (NH), há uma diferença favorável ao tratamento, mas os valores não permitem generalização estatística (p = 0,14).

Apesar da diferença estatística do DAS e do Doppler, os pesquisadores estabeleceram um terceiro critério, que é o da diferença clínica, que foi arbitrada em uma melhora na saúde geral do paciente maior ou igual a 50%. Esta melhora foi pequena, tendo atingido apenas 6% dos pacientes dos grupos de tratamento espiritual e falso tratamento espiritual (na mesma proporção).
Os pesquisadores percebem que os resultados encontrados não podem ser explicados por placebos e admitem que os pacientes do grupo sem terapia espiritual “mostraram uma grande tendência a procurar terapia adicional, o que talvez explique a melhora inesperada do grupo”. (p. 7) Outra hipótese seria a esperança de melhora dos sujeitos do grupo sem tratamento, mesmo tendo parecido satisfeitos com sua terapia usual, o que foi verificado pelos pesquisadores.

As conclusões (ou "inconclusões") dos autores seguem duas possíveis interpretações:

  1. .      Conservadora: o estudo “tropeçou” em um grupo de pacientes recebendo tratamento espiritual, que, por acaso teve um decréscimo em sua artrite, se comparado com o grupo de falso tratamento.
  2.        O tratamento espiritual (“energy healing”) é de fato capaz de influenciar processos biológicos relevantes para a artrite reumatoide através de mecanismos ainda não compreendidos pela ciência convencional. (mas esta interpretação não explica a melhora do grupo sem tratamento).

Os autores admitem que eram céticos com relação à eficácia do tratamento espiritual e que os pacientes tinham “baixa expectativa”, mas sugerem que sejam feitos novos ensaios bem controlados para que se forneça evidência contra ou a favor do tratamento espiritual.


Bliddal, H., Christensen, R., Hejfaard, L., Bartels, E.M., Ellegaard, K., Zachariae, R., Danneskiold-Samsoe, B. Spiritual healing in the treatment of rheumatoid arthritis: an exploratory single centre, parallel-group, double-blind, three-arm, randomized, sham-controlled trial, Evidence-based complementary and alternative medicine, http://dx.org/10.1155/2014/269431

"Prece e curas espirituais" é o tema central do 13o. Encontro da Liga de Pesquisadores do Espiritismo, que acontecerá em São Paulo, nos dias 26 e 27 de agosto.  Inscrições abertas em http://usesp.org.br/13o-enlihpe/ 






[1] Mantive o termo tratamento espiritual no texto, em função do termo ter sido operacionalmente definido pelos autores, mas ele não está sendo empregado com o mesmo sentido que usamos no movimento espírita. Para Kardec, no capítulo XIV, parágrafo 33, de A Gênese, seria um tratamento a base do “fluido do magnetizador ou do magnetismo humano”. 

5.8.17

PROGRAMAÇÃO DO 13o. ENLIHPE: INSCRIÇÕES ABERTAS

13o. ENCONTRO NACIONAL DA LIGA DE PESQUISADORES DO ESPIRITISMO





"Prece e curas espirituais" é o tema central do 13o. Encontro da Liga de Pesquisadores do Espiritismo, que acontecerá em São Paulo, nos dias 26 e 27 de agosto.  Inscrições abertas em http://usesp.org.br/13o-enlihpe/ 


4.8.17

PASSE PODE REDUZIR ANSIEDADE E DEPRESSÃO?




O tema do 13o. Encontro Nacional da Liga de Pesquisadores do Espiritismo – ENLIHPE é “Prece e Curas Espirituais”. Um dos objetivos desse evento é apresentar trabalhos científicos ou acadêmicos relacionados a temas espíritas, o que o distingue de eventos voltados a divulgar essencialmente o conteúdo de livros espíritas, e que já existem aos milhares em nosso país. Esses trabalhos não são necessariamente escritos por espíritas, por esse motivo, a LIHPE está aberta a quem se interesse pela temática espírita.

Com matérias como esta, pretendo, antes do evento, publicar alguns artigos de divulgação de pesquisas sobre o tema e facilitar seu acesso aos futuros participantes e interessados.

Uma das linhas de pesquisa que já tem alguma produção é a de “passes espíritas” e saúde mental, que tem sido estudada dentro da área de “Terapias Complementares”. O primeiro artigo que escolhi intitula-se “Effect of the Spiritist “passe” energy therapy in reducing anxiety in volunteers: a randomized controlled trial”. (Traduzindo, seria algo como, “Efeito da terapia energética do passe espírita na redução de ansiedade em voluntários: um ensaio controlado aleatório). Foi escrito por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista, UNESP, e pode ser acessado a partir do endereço do DOI http://dx.doi.org/10.1016/j.ctim.2016.05.002

Os autores são Ricardo S. Cavalcante, Vanessa B. Banin, Niura A.M.R. Paula, Solange R. Daher, Marta C. Habermman, Francisco Habermann, Ariane M. Bravin, Carlos E. C. Silva e Luiz Gustavo M. Andrade, todos de departamentos da Faculdade de Medicina da Unesp.

Trata-se de uma pesquisa, aprovada e registrada pelo comitê de ética da instituição, que estudou 60 voluntários, avaliados como apresentando ansiedade e/ou depressão acima da média brasileira. Eles foram agrupados em dois grupos, um que seria submetido ao passe (grupo experimental) e outro que participaria de sessão no mesmo local, mas com passistas que não se concentrariam na  melhora do paciente (irradiação), nem fariam oração (grupo controle).

Os passistas fazem parte de Centro Espírita afiliado à Federação Espírita do Estado de São Paulo – FEESP. A técnica de passe é simples, e basicamente consiste na imposição de mãos a 10-15 centímetros de distância do corpo, sem toques e a movimentação longitudinal das mãos, da cabeça às pernas, com um movimento semi-circular. Os passes duram cerca de 5  minutos, mas os participantes vêm de uma sessão de relaxamento de cerca de 30 minutos, com música clássica suave. Os passistas concentram seus pensamentos no tratamento do paciente, enquanto que os falsos passistas, do grupo de controle, não o fazem.

Pacientes do grupo experimental e do grupo-controle fizeram oito sessões em oito semanas. Após as sessões tiveram sua ansiedade, depressão reavaliados. Foi comparada a qualidade de vida dos participantes entre os grupos. A pesquisa foi realizada entre junho de 2014 e outubro de 2015.

Resultados

Os dois grupos são compostos de pessoas com idade média próxima (GE = 44 e GC = 47), predominantemente femininos (GE = 70% e GC = 83%) e de religião predominantemente católica (GE = 62% e GC = 61%) e em segundo lugar espírita (GE = 31% e GC = 30%).

Na comparação entre grupos, a ansiedade média foi avaliada como menor nos dois grupos, mas o grupo com passistas teve redução mais significativa. A probabilidade de erro da diferença obtida entre os grupos é menor que 1,7%, ou seja, mesmo com a amostra pequena, é relevante.  Em outras palavras a ansiedade reduziu nos dois grupos, mas reduziu mais no grupo dos passistas “verdadeiros”.

O decréscimo da depressão média aconteceu nos dois grupos (a probabilidade do erro da diferença é de 0,001%), e, apesar das médias do grupo tratado por  passistas ser menor que a do grupo tratado por  falsos passistas, não houve diferença significativa entre eles.

Não compreendi bem os resultados apresentados de qualidade de vida. Nos gráficos há melhoras nos quatro domínios estudados (físico, psicológico, social e ambiente), mas os intervalos de confiança se interpõem, o que normalmente significa que as melhoras não são diferentes entre os grupos. Concluindo, a qualidade de vida teria melhorado para os dois grupos (tratados com relaxamento e passe e tratados com relaxamento e falso passe). No texto, contudo, os autores afirmam existir diferenças em alguns domínios. Uma tabela com valores de probabilidade teria deixado mais claras estas afirmações.

Nas discussões de resultados os autores explicam que houve uma a melhora de ansiedade da ordem de 83%, e que os participantes não tomaram nenhum tipo de medicamento para este transtorno mental. Os sintomas de depressão também reduziram. A conclusão geral dos autores é que “os sintomas de ansiedade e depressão foram reduzidos e a qualidade de vida melhorou  no grupo experimental.”

Os autores entendem que uma das limitações do estudo é que exige passistas com treinamento especializado, e que os resultados obtidos foram com apenas dois passistas, com cinco anos de experiência e que outros resultados poderiam ter advindo se houvessem estudado passistas menos experientes. Eles reconhecem que o estudo foi feito com pequenas amostras e o consideram como um estudo piloto.


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2.8.17

TRATAMENTO ESPIRITUAL (HEALING) BENEFICIA PACIENTES COM SINTOMAS CRÔNICOS?




Um estudo que já pode ser considerado antigo, mas que tem resultados importantes foi publicado por Michael Dixon no Journal of the Royal Society of Medicine em 1988. O autor preocupou-se com o sentimento de desalento (hopelessness) que atinge pacientes com doenças crônicas, a partir dos quais havia relatos que ao passar por um curador espiritual (healer), o desalento havia diminuído. Contudo, ficava uma questão: as melhoras aconteceriam por causa do efeito placebo? As causas seriam puramente psicológicas?

Os efeitos já descritos por outros três trabalhos foram citados por Dixon e se resumem em:
  1. Peregrinos retornando de Lourdes relatavam redução de ansiedade e depressão por mais de dez meses.
  2. O estresse psicológico parece reduzir a cicatrização de feridas, e as intervenções religiosas que reduzem ansiedade e depressão diminuíam a mortalidade.

Outra questão que o interessava eram as células NK (natural killer), “célula linfoide com atividade contra vírus, bactéria e tumores primários e secundários” (p. 183). Havia um estudo da psiconeuroimunologia que apontava que as células NK podiam estar associadas à depressão e ao estresse.

Dixon pesquisou em um distrito rural da cidade de Devon, Inglaterra), 57 pacientes que tinham doenças há pelo menos seis meses e que não tivessem respondido a tratamentos prévios, convencionais ou não. Eles deviam ter mais de 18 anos e estar dispostos a procurar um curador (healer).

Os pacientes receberam a visita dos curadores por doze semanas (5 pacientes por vez) e escolheram-se pacientes sem tratamento, de perfil semelhante, para comparação. Eram sessões de 45 minutos, semanais. As doenças dos pacientes eram artrite, dores no pescoço/costas, depressão, psoríase, enxaqueca/dores de cabeça, dores nos membros, doença de Crohn/colite ulcerativa, eczema, estresse, dor abdominal, pacientes recuperando-se de acidente vascular cerebral e outros. Na divisão dos grupos experimental (tratado com curador) e controle (sem tratamento), foram distribuídos pacientes com doenças semelhantes de forma equivalente. Se no grupo experimental houvesse dois pacientes com enxaqueca, no outro também haveria. Em um segundo momento do estudo metade dos pacientes receberam visitas por mais doze semanas.

Foram feitas avaliações no início do estudo, após três meses e após seis meses (dos que participaram até este período). Os pacientes avaliaram seus sintomas em uma escala de zero (sem sintomas) a dez (sintomas insuportáveis). Ansiedade e depressão foram medidas pelos pacientes em uma escala chamada HAD (Hospital Ansiety and Depression). A capacidade de funcionamento geral foi avaliada pelo perfil de habilidade funcional de Nottingham. O percentual de células NK foi avaliada por exames laboratoriais, junto com a medida de células brancas e linfócitos.

Resultados

Depressão e ansiedade    
Nos três primeiros meses o grupo de pacientes em tratamento espiritual teve uma melhora significativa com relação ao grupo controle (sem tratamento) (ansiedade p < 0,01 e depressão p < 0,05))

Função geral

O grupo que sofreu tratamento teve uma melhora significativa com relação ao grupo controle (p < 0,01). Aos seis meses, o grupo que manteve o tratamento não teve diferença significativa com relação ao grupo controle.

Mudanças Imunológicas

O percentual de células NK (do tipo CD 56 e CD 16) não alterou significativamente em nenhum dos dois grupos

Consultas e medicação

Os pacientes do grupo experimental tiveram uma maior redução de medicamentos que os do grupo controle (p < 0,05), embora só tenha atingido 9 dos 27 pacientes, enquanto apenas 2 dos 24 pacientes do grupo sem tratamento também tenham tido redução de medicamentos.

Discussão

Os autores consideram sua pesquisa como sendo a primeira a estudar o efeito de um curador em um estudo controlado. “52% dos pacientes se sentiram substantivamente melhor após o tratamento espiritual, não tendo apresentado resposta a tratamentos prévios, além disso nenhum se sentiu pior.”

Não houve mudanças na resposta imunológica, e as primeiras impressões de que o tratamento espiritual reduziria a quantidade de consultas por ano não se confirmou. Dixon sugere que haja novos estudos sobre a redução da taxa de medicamentos.

Ele reconhece que como é um trabalho com um número pequeno de pessoas, o estudo é apenas exploratório (gerador de hipóteses) e não explicativo (de teste de hipóteses). Além disso, ele tem a limitação de não alocar os pacientes aleatoriamente (a amostra era heterogênea, então se usou um quase-pareamento de pacientes).

Ele recomenda que nos novos estudos se avalie a efetividade do custo do tratamento espiritual (incluindo custos da terapia, mudanças na medicação corrente, taxas de consulta e dias afastado do trabalho) como uma forma de verificar se vale a pena o Serviço Nacional de Saúde inglês custear o tratamento por healing.

As recomendações do autor foram parcialmente ouvidas, como se pode ler em outros estudos recentes, e ele foi citado por muitos autores posteriores. A questão das células NK também foi abordada futuramente.

E os passes espíritas?

Como nós, espíritas, fazemos aplicação gratuita de passes, as questões financeiras se reduzem ao deslocamento dos pacientes para os centros espíritas, ou das equipes de passistas para a residência dos pacientes crônicos, quando eles estiverem impossibilitados de fazê-lo.

Há uma diferença marcante do tempo das sessões estudadas para o tempo que geralmente é destinado aos passes nos centros espíritas (cerca de uma hora de participação em estudos e cinco minutos de aplicação de passes), mas esta questão foi tratada em um estudo mais recente no Brasil, que encontrou efetividade no tratamento em um grupo que fazia os pacientes passarem por trinta minutos de relaxamento com música seguido de passes de curto tempo de duração.

Dixon, Michael. Does “healing” benefit patients with chronic symptoms? A quasi-randomized trial in general practice, Journal of the royal society of medicine, v. 91, abr. 1998, pág. 183-188. Impact Factor - 2,185 (2016)

Acesso (aparentemente gratuito) através de:





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31.7.17

EXPLORE PUBLICA NÚMERO ESPECIAL SOBRE HEALING



A revista Explore acaba de publicar um número dedicado a discutir o que é "healing" (cura), com um artigo escrito por Jack Levin e comentários feitos por pesquisadores da área de saúde sobre este trabalho.

O texto de Levin em inglês e os dos comentaristas podem ser lidos em http://www.explorejournal.com/current porque a revista é aberta ao público. 



"Prece e curas espirituais" é o tema central do 13o. Encontro da Liga de Pesquisadores do Espiritismo, que acontecerá em São Paulo, nos dias 26 e 27 de agosto.  Inscrições abertas em http://usesp.org.br/13o-enlihpe/ 

28.7.17

TRATAMENTOS SEMELHANTES AO PASSE E À PRECE: PALAVRAS QUE PERMITEM ACESSAR PESQUISAS CIENTÍFICAS


Johrei: prática de imposição de mãos da Igreja Messiânica

Um artigo considerado clássico fez uma revisão de estudos positivos com relação ao que é denominado healing (cuja tradução para o português seria cura). Foi escrito por dois Phds, Hodges e Scofield (1996), que agruparam uma série de técnicas de cura que vão das orações à imposição de mãos, além de técnicas que envolvem toques na pele, o que não fazemos no movimento espírita.

Os autores classificaram quatro tipos de técnicas (o texto entre aspas é tradução do que escreveram):

Faith healing (cura pela fé): “ela ocorre no contexto religioso, usualmente durante um serviço da igreja ou em forma de grupos de oração pela cura”.

Spiritual healing (cura espiritual): “Na Grã-Bretanha o nome mais comum, usado para cura usando a imposição de mãos, a técnica mais amplamente usada. Este método não requer que o paciente tenha fé. A cura é administrada pela colocação das mãos sobre ou próximas ao corpo do paciente. A variação desta técnica é a cura distante (distant healing) na qual o curador dirige as intenções de cura a um paciente situado em outro lugar qualquer. Há evidências a favor e contra um efeito positivo da cura à distância. A pesquisa sugere que a cura à distância não é baseada em energias eletromagnéticas.”

Terapeutic Touch (toque terapêutico): “Ele é muito semelhante com a cura espiritual, exceto pelo curador encostar na superfície da pele. É a única das poucas técnicas terapêuticas que fez progressos entre as profissões de saúde, particularmente nos Estados Unidos. Foi testada em um número limitado de ensaios (trials) de pesquisa, com alguns resultados positivos significativos.”

Reiki healing (Reiki) “Reiki é um sistema de cura que foi desenvolvido no Japão. Ele usa ambos, a imposição de mãos e as técnicas de cura à distância. Poucos estudos foram feitos com Reiki. Um estudo mostrou mudanças em alguns parâmetros do sangue.”

À época os autores britânicos não conheciam os passes utilizados pelos centros espíritas, mas mais recentemente se tem encontrado a expressão spiritist “passe”, geralmente publicada por pesquisadores brasileiros que estudam esta prática nos centros espíritas.

Outras palavras que podem ser usadas para pesquisa em periódicos médicos e de saúde, da imposição de mãos ou práticas semelhantes, ou de orações e irradiações, são:

Distance healing (cura à distância)

Noetic healing (cura noética ou pelo pensamento)

Intercessory prayer (prece intercessora)

Laying on of hands (imposição de mãos)

Johrei (Johrei – é uma prática da Igreja Messiânica que usa a imposição de mãos e a oração)

Práticas de cura ou tratamento à distância são diferentes, envolvem tradições culturais e, por isso mesmo, têm suas características próprias. O aplicador do Johrei, segundo entrevista que fiz há muitos anos na Igreja Messiânica de Belo Horizonte, ganha uma espécie de medalhinha que usa durante a prática. No meio espírita, incentiva-se a simplicidade, e evita-se tudo o que possa lembrar ritos, roupas especiais e gestos desnecessários. Contudo a imposição de mãos e o pensamento voltado á recuperação dos paciente (com ou sem preces) são elementos presentes nestas práticas, o que torna os resultados de pesquisa de interesse dos estudiosos dos passes e dos tratamentos espirituais.

Hodges, R. D., Scofield, A. M. Is spiritual healing a valid and effective therapy?, Journal of the Royal Society of Medicine, v. 88, abr. 1995, p. 203-207


"Prece e curas espirituais" é o tema central do 13o. Encontro da Liga de Pesquisadores do Espiritismo, que acontecerá em São Paulo, nos dias 26 e 27 de agosto.  Inscrições abertas em http://usesp.org.br/13o-enlihpe/ 

26.7.17

QUE REVISTAS TÉCNICAS PUBLICAM ARTIGOS CIENTÍFICOS SOBRE PASSES?



Quando falamos em revistas, o que geralmente vêm à mente das pessoas é o que a língua inglesa sabiamente denomina como magazine. São veículos de notícias, como a Veja, a Isto é, a Época e a Caros Amigos. Magazines podem ser também voltadas a assuntos específicos, como a Quatro Rodas (automóveis), Placar (futebol), Cláudia (revista feminina), Casa e Jardim (decoração), Vogue (moda), só para ilustrar.

Para pesquisadores, contudo, revistas técnicas (no inglês journal, review) são lugares em que se leem trabalhos especializados de uma área de conhecimento, revistos por outros pesquisadores da área (peer review), que seguem uma série de normas e critérios para publicação. Estas não são encontradas em bancas de revistas, porque não são voltadas ao grande público. Seus leitores têm que dominar os conceitos, métodos e técnicas da área de publicação. O diferencial destas revistas é que os autores não publicam apenas o que concluíram de suas pesquisas, mas como pesquisaram, exatamente que testes fizeram, o que leram para chegar à sua questão de pesquisa, e quais as conclusões, discussões e limites daquilo que chegaram.

Como já vimos, há revistas da área médica que publicam sobre passes, e há revistas de outros campos do conhecimento, como história e antropologia, mas nosso interesse no 13º. ENLIHPE ficou mais voltado à prece e curas espirituais em conexão com as áreas de saúde.

Nos levantamentos que fiz, há três periódicos que tem um bom número de publicações, e que repasso ao leitor:
  1.  Journal of alternative and complementary medicine ISSN: 1075.5535
  2.  Journal of evidence based complementary and alternative medicine ISSN: 2156-5872
  3. Explore: the journal of science and healing ISSN: 1550-8307

Além deles, vi muitas citações sobre os temas que estão em revistas da área de parapsicologia. Uma das mais tradicionais:

1.Journal of Society for Psychical Research ISSN: 0037-9751



Não consegui, contudo, acessar esta última. Ela foi incluída em uma base de revistas de parapsicologia, chamada Lexscien – Library of Exploratory Sciences: http://www.lexscien.org/lexscien/index.jsp

"Prece e curas espirituais" é o tema central do 13o. Encontro da Liga de Pesquisadores do Espiritismo, que acontecerá em São Paulo, nos dias 26 e 27 de agosto.  Inscrições abertas em http://usesp.org.br/13o-enlihpe/ 

Vagas limitadas.


24.7.17

PROCURANDO POR PESQUISAS SOBRE PASSE EM REVISTAS ESPECIALIZADAS NA ÁREA DE SAÚDE




Com o avanço das ciências, novas possibilidades de estudos sobre o passe ou técnicas similares às que vemos nas sociedades espíritas se abriram. Ao contrário do que pensam alguns confrades, os estudos sobre os passes não findaram ao apagar das luzes do século XIX.

Na Grã-Bretanha, há associações de “spiritual healers”, com milhares de inscritos. São pessoas que se propõem a tratar de pessoas doentes com imposição de mãos, normalmente sem toques no corpo. A busca destes profissionais pela população tem influenciado muitos pesquisadores da área de saúde a realizarem estudos, pelo menos sobre os resultados observados, em comparação com doentes que não passam pelo tratamento (por que não desejam).

Os estudos não são poucos. No Brasil, um grupo de universidades tem acesso a uma base chamada “Periódicos Capes”, que é formada por diversas bases de dados internacionais. São milhares de revistas técnicas de todas as áreas de conhecimento.

Ao digitar a expressão “spiritual healing” no campo de pesquisas por assunto, encontrei 116.455 artigos. Então usei os filtros e reduzi para artigos, revistos por pares, da área de medicina e encontrei 3615 artigos.  Diante da dificuldade, escolhi apenas os artigos que tinham a expressão “spiritual healing” no título, publicados entre 2010 e 2017. Para minha surpresa são 78 artigos para se ler.

Vendo os resumos dos textos, descobri que pesquisadores brasileiros estão criando um novo termo de pesquisa para seus trabalhos. Trata-se de spiritist “passe”, expressão cunhada por que estudaram os passes no ambiente espírita. Obtive 37 retornos (alguns duplicados).

Este pequeno esforço me fez pensar em duas coisas. A ideia que a ciência ou as ciências não se interessam e têm preconceito para os estudos sobre os passes, precisa ser revista. Há muitos trabalhos modernos, que atendem às exigências contemporâneas de publicação, infinitamente maiores que comparadas com o século XIX. Houve o desenvolvimento da metodologia de pesquisa, da estatística e o aumento (e a formação) dos pesquisadores e das áreas de conhecimento limítrofes (psicologia, física, biologia, medicina, etc...). Logo, são estudos com muito mais qualidade que os que lemos nos livros dos magnetizadores do século XIX, por exemplo.

A segundo ponto, é que com a exigência de internacionalização das publicações, trabalhos originalmente seriam publicados em português, estão sendo publicados em inglês, para atingir a um público maior. Se os espíritas desejarem estar “em dia” com o que se produz de conhecimento, às vezes em sua própria cidade, precisarão estar atentos e ter acesso, de alguma forma, a livros e artigos publicados na língua de William Shakespeare.

"Prece e curas espirituais" é o tema central do 13o. Encontro da Liga de Pesquisadores do Espiritismo, que acontecerá em São Paulo, nos dias 26 e 27 de agosto.  Inscrições abertas em http://usesp.org.br/13o-enlihpe/ 

Vagas limitadas.