4.8.17

PASSE PODE REDUZIR ANSIEDADE E DEPRESSÃO?




O tema do 13o. Encontro Nacional da Liga de Pesquisadores do Espiritismo – ENLIHPE é “Prece e Curas Espirituais”. Um dos objetivos desse evento é apresentar trabalhos científicos ou acadêmicos relacionados a temas espíritas, o que o distingue de eventos voltados a divulgar essencialmente o conteúdo de livros espíritas, e que já existem aos milhares em nosso país. Esses trabalhos não são necessariamente escritos por espíritas, por esse motivo, a LIHPE está aberta a quem se interesse pela temática espírita.

Com matérias como esta, pretendo, antes do evento, publicar alguns artigos de divulgação de pesquisas sobre o tema e facilitar seu acesso aos futuros participantes e interessados.

Uma das linhas de pesquisa que já tem alguma produção é a de “passes espíritas” e saúde mental, que tem sido estudada dentro da área de “Terapias Complementares”. O primeiro artigo que escolhi intitula-se “Effect of the Spiritist “passe” energy therapy in reducing anxiety in volunteers: a randomized controlled trial”. (Traduzindo, seria algo como, “Efeito da terapia energética do passe espírita na redução de ansiedade em voluntários: um ensaio controlado aleatório). Foi escrito por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista, UNESP, e pode ser acessado a partir do endereço do DOI http://dx.doi.org/10.1016/j.ctim.2016.05.002

Os autores são Ricardo S. Cavalcante, Vanessa B. Banin, Niura A.M.R. Paula, Solange R. Daher, Marta C. Habermman, Francisco Habermann, Ariane M. Bravin, Carlos E. C. Silva e Luiz Gustavo M. Andrade, todos de departamentos da Faculdade de Medicina da Unesp.

Trata-se de uma pesquisa, aprovada e registrada pelo comitê de ética da instituição, que estudou 60 voluntários, avaliados como apresentando ansiedade e/ou depressão acima da média brasileira. Eles foram agrupados em dois grupos, um que seria submetido ao passe (grupo experimental) e outro que participaria de sessão no mesmo local, mas com passistas que não se concentrariam na  melhora do paciente (irradiação), nem fariam oração (grupo controle).

Os passistas fazem parte de Centro Espírita afiliado à Federação Espírita do Estado de São Paulo – FEESP. A técnica de passe é simples, e basicamente consiste na imposição de mãos a 10-15 centímetros de distância do corpo, sem toques e a movimentação longitudinal das mãos, da cabeça às pernas, com um movimento semi-circular. Os passes duram cerca de 5  minutos, mas os participantes vêm de uma sessão de relaxamento de cerca de 30 minutos, com música clássica suave. Os passistas concentram seus pensamentos no tratamento do paciente, enquanto que os falsos passistas, do grupo de controle, não o fazem.

Pacientes do grupo experimental e do grupo-controle fizeram oito sessões em oito semanas. Após as sessões tiveram sua ansiedade, depressão reavaliados. Foi comparada a qualidade de vida dos participantes entre os grupos. A pesquisa foi realizada entre junho de 2014 e outubro de 2015.

Resultados

Os dois grupos são compostos de pessoas com idade média próxima (GE = 44 e GC = 47), predominantemente femininos (GE = 70% e GC = 83%) e de religião predominantemente católica (GE = 62% e GC = 61%) e em segundo lugar espírita (GE = 31% e GC = 30%).

Na comparação entre grupos, a ansiedade média foi avaliada como menor nos dois grupos, mas o grupo com passistas teve redução mais significativa. A probabilidade de erro da diferença obtida entre os grupos é menor que 1,7%, ou seja, mesmo com a amostra pequena, é relevante.  Em outras palavras a ansiedade reduziu nos dois grupos, mas reduziu mais no grupo dos passistas “verdadeiros”.

O decréscimo da depressão média aconteceu nos dois grupos (a probabilidade do erro da diferença é de 0,001%), e, apesar das médias do grupo tratado por  passistas ser menor que a do grupo tratado por  falsos passistas, não houve diferença significativa entre eles.

Não compreendi bem os resultados apresentados de qualidade de vida. Nos gráficos há melhoras nos quatro domínios estudados (físico, psicológico, social e ambiente), mas os intervalos de confiança se interpõem, o que normalmente significa que as melhoras não são diferentes entre os grupos. Concluindo, a qualidade de vida teria melhorado para os dois grupos (tratados com relaxamento e passe e tratados com relaxamento e falso passe). No texto, contudo, os autores afirmam existir diferenças em alguns domínios. Uma tabela com valores de probabilidade teria deixado mais claras estas afirmações.

Nas discussões de resultados os autores explicam que houve uma a melhora de ansiedade da ordem de 83%, e que os participantes não tomaram nenhum tipo de medicamento para este transtorno mental. Os sintomas de depressão também reduziram. A conclusão geral dos autores é que “os sintomas de ansiedade e depressão foram reduzidos e a qualidade de vida melhorou  no grupo experimental.”

Os autores entendem que uma das limitações do estudo é que exige passistas com treinamento especializado, e que os resultados obtidos foram com apenas dois passistas, com cinco anos de experiência e que outros resultados poderiam ter advindo se houvessem estudado passistas menos experientes. Eles reconhecem que o estudo foi feito com pequenas amostras e o consideram como um estudo piloto.


"Prece e curas espirituais" é o tema central do 13o. Encontro da Liga de Pesquisadores do Espiritismo, que acontecerá em São Paulo, nos dias 26 e 27 de agosto.  Inscrições abertas em http://usesp.org.br/13o-enlihpe/ 

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